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O pique - esconde dos robôs

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Por: Elis tavares

Quando eu era criança, achava que a minha vidinha se resumia a minha família e a alguns poucos amigos. Eu passava a semana inteira esperando que o domingo chegasse para subir no pé de goiaba ou chupar mangas o dia todo no quintal da casa da minha avó.

 Eu adorava aquele quintal de terra batida e cheio de bicho de pé! Era um mundo cheio de brincadeiras e aventuras de crianças. Nós éramos os super-heróis e as brincadeiras de pique -esconde faziam a nossa alegria. Meu primo, debruçado sobre a parede suja da casa, contava até 50 enquanto nós nos escondíamos em cima do pé de manga, no pé de abacate ou até na casa do cachorro. E quando meu primo achava algum dos esconderijos, era uma correria só para tocar na parede da contagem. Era uma farra! Mas, quando a gente cresce, percebemos que o mundo não é como o quintal da casa da nossa avó.

Quanto mais eu observo as pessoas, mas elas despertam em mim um interesse incrível de saber o que se passa em suas cabeças e ao redor de cada uma delas. Percebi que o pequeno quintal desapareceu e que as responsabilidades cresceram. Mas, percebi que, para muitas pessoas neste país, a brincadeira de pique - esconde ainda continua.

Costumo chamar essas pessoas de robôs sociais ligadas no modo automático. E me auto incluo nessa categoria, só que eu, assim como alguns poucos, tenho sofrido uns curtos-circuitos em meu modo automático e tenho entrado em "pani" geral. Aí começo a pensar e a questionar a realidade em que vivemos.

E nesses confrontos com meu modo automático, chego a conclusão de que os robôs continuam brincando de pique - esconde. Os robôs tem em seu sistema o comando de se esconder dos problemas sociais que assolam o nosso país. Para elas é muito mais simples culpar o professor pela educação dos filhos.

Elas mesmo nem tem interesse no futuro de suas crias-robôs. Preferem se esconder na rotina do trabalho do dia-a-dia e se escondem dos problemas dos filhos. Os professores, coitados, são martirizados por um governo e sistema que controla toda a "robozagem". E quando a educação de um país é severamente afetada, outros problemas sociais mais graves surgem.

Para os robôs do século XXI é mais fácil e prático construir mais cadeias do que escolas. Eles têm a ilusão de que as cadeias são mais eficientes na prevenção da violência social do que as escolas.

Acreditam que jogando pessoas em celas frias serão capazes de colocá-las novamente em modo automático social. Ledo engano...

Os robôs sociais esqueceram que dentro das cadeias existe outro tipo de construção de robôs: os da criminalidade. E também esqueceram que neste país não há pena de morte e nem prisão perpétua. Um dia os abandonados nas celas frias terão que voltar para o meio da "robozagem" e não serão mais os robôs-sociais, mas sim, os robôs-criminosos que entrarão na brincadeira do pique - esconde do sistema judiciário.

Enquanto isso, os robôs- sociais se escondem dos robôs-criminosos dentro de suas casas de grade de aço com seus sistemas de câmeras modernas. A brincadeira continua de vento em polpa...

Observando essa brincadeira de pique - esconde de gente grande, chego a conclusão que estamos fadados à um ciclo vicioso comandado por um sistema que dita as regras e controla todos os robôs. Para pôr um fim ao controle desse sistema, precisamos de um vírus potente e altamente mortal chamado de educação.

A partir do momento que todos nós, tanto os jogados nas celas frias ou os presos em suas casas de grades de aço, perceberem que precisamos desse vírus chamado de educação para organizarmos mudanças sociais em nosso país, o sistema de controle ruirá.

E nesse sistema de controle podemos incluir a corrupção dos nossos governantes, o materialismo consumista e as desigualdades sociais propositalmente arquitetadas por um pequeno grupo de pessoas que nos veem como escravos.

É preciso um curto-circuito em alta escala para que possamos romper de vez com velhos patrões que nos são impostos. Não adianta se esconder dos problemas sociais, pois eles irão te encontrar em qualquer lugar que você se esconda. Um dia, a brincadeira de pique - esconde deverá ter um fim e espero, sinceramente, que todos os robôs queiram o mesmo que eu, pois já estamos grandinhos demais para este tipo de brincadeira.

Artigo de Elis Tavares - 30/05/2013

 

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