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VEJA A SUA BLUSA...

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Veja sua blusa... Você sabe quem a fabricou? Você já imaginou como foi a produção dessa blusa?

 Em quantas mãos essa blusa passou para chegar até você? Vamos fazer um traçado geral: primeiro o homem plantou o algodão, depois o coletor de algodão, aí a venda do algodão para uma fábrica, então o tecelão fabrica o pano e uma mulher costura os panos até a blusa tomar forma.

Para que esta blusa ficasse pronta foi necessário que várias pessoas contribuíssem para a sua produção. Você conseguiria produzir uma blusa assim sozinho? Você conseguiria plantar e produzir todos os alimentos que você consome? Você conseguiria produzir toda a parafernália eletrônica que você utiliza em seu trabalho? Eu acho que não...

Com isso, pode-se concluir que nenhum indivíduo atualmente conseguiria viver sozinho. Então, viver em coletividade é uma necessidade do homem. Podemos chamar essa vida em coletividade de sociedade.

A produção da blusa envolveu uma rede de relacionamento de pessoas com interesses em comuns que foi a confecção de uma peça de roupa, assim também é a sociedade. Uma sociedade pode ser formada devido a uma proximidade de interesses e gostos de seus participantes.

Em toda a sociedade há uma relação de comércio, ou seja, uma relação de troca entre 2 ou mais pessoas. Você compra aquilo que você consome ou você vende aquilo que você possui.

Podemos dizer que vivemos em uma sociedade capitalista que, com certeza, traz desigualdades para a maior parcela do povo e a estratificação social.

Na sociedade capitalista a maior parcela da população trabalha para manter as riquezas de uma mísera parcela de pessoas. Podemos comparar este capitalismo como um modo de escravidão onde, nós, os escravos modernos, devemos comprar nossas próprias jaulas.

Para entrar na ronda do consumo frenético da sociedade atual é preciso ter dinheiro, e para isso é preciso trabalhar, ou seja, vender-se. A sociedade capitalista fez do trabalho do homem seu principal valor, onde o papel do trabalhador se confunde com os das máquinas.

O trabalhador é apenas um número em uma fábrica onde cada gesto é calculado para assim aumentar a produtividade.

Somos todos escravos sem algemas físicas, mas temos algemas no financiamento da casa que devemos pagar pelo resto de nossas vidas. A ganância de alguns reduziu todas as relações humanas em relações mercantes, onde tudo que se inclui em nosso planeta são simples mercadorias colocadas à venda.

De tanto obedecer, nós, os escravos modernos da sociedade capitalista, adquirimos o reflexo de submissão. A obediência e o não questionamento se tornaram nossa segunda natureza.

Nosso lema é: OBEDECER, PRODUZIR E CONSUMIR. Baixamos a cabeça para os donos do mundo, aceitamos que nos roubem e nos humilhem somente porque temos medo de enfrentá-los.

As crianças são as primeiras vítimas, pois são sufocadas desde o berço. É necessário torná-las estúpidas e tirar-lhes toda a capacidade de reflexão e de crítica para que elas jamais ousem questionar a sociedade na qual estão inseridas. Como em Roma, atualmente é com festas e diversões que se compra o silêncio dos escravos da sociedade capitalista.

Nós, os escravos, estamos cegos se pensamos que somos cidadãos respeitados em nossa sociedade.

Nós acreditamos que votamos livremente e que decidimos quem vai nos representar. A democracia que temos nos limita apenas ao direito ao voto, ou seja, algo ilusório, pois 90% políticos atuais não fazem nada em nosso benefício, pois, eles representam a pequena classe dominante da sociedade.

Para que uma mudança radical em nossa sociedade surja, é necessário que passemos da posição de escravos da classe dominante para pessoas que questionem a fundo as questões políticas, sociais e econômicas que nos são oferecidas. É preciso reformular a educação e as relações entre as pessoas.

Questões como ética e moral devem fazer parte de nossa vida e não o consumismo desenfreado imposto pela globalização. Se quisermos uma sociedade não escravagista e realmente igualitária, devemos deixar a condição de escravos que simplesmente aceitam o que lhes são imposto pela classe dominante.

É preciso quebrar as correntes que nos prendem ao passado e caminharmos para uma sociedade verdadeiramente democrática e livre.

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